segunda-feira, 1 de junho de 2026

Greve ou mala?

A mesma carta reescrita décadas depois. 

A situação dos professores em 2026 cabe dentro de uma mochila: café forte, remédio para dormir, estresse constante, dores de cabeça e terapia. Com o aproximar-se das eleições, brotam políticos e marqueteiros profissionais que em um estalar de dedos prometem  organizar, estudar soluções, "fazer o trabalho de casa" e colocar como prioridades cruciais quem ensina e quem é educado.

No mais, a situação continua a mesma. Basta passar as eleições que nada se altera.

Em Florianópolis, 550 servidores se exoneraram entre março e junho de 2026. Outros 240 foram demitidos por exigir melhores condições de trabalho e apoiar a greve. 

Um pequeno retrato de uma cidade que esbanja dinheiro em publicidade no centro mas deixa auxiliar de sala recebendo merreca e banheiro sem porta em Canasvieiras.

O rolo compressor instaurado pelo atual secretário de educação segue passando. A resistência segue firme. Mas por quanto tempo mais, antes que o desânimo vire desistência? Firmeza sem resultado cansa. E o que se vê é que professores cansados não fazem greve. Fazem as malas. 

Já ouço o argumento: 'Vocês reclamam demais, sabiam onde estavam entrando'. Sabíamos do salário baixo e do estresse. Não sabíamos que seríamos babá, psicólogo e depósito de crianças para pais relapsos — e que ainda ouviríamos reclamação quando ousamos greve por um mínimo.

Mas no final todo mundo sabe. Essa segue sendo a mesma carta reescrita ano após ano. 

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