terça-feira, 28 de abril de 2026

1° de Maio e a luta do século XXI.

No próximo dia 1°, comemoramos novamente o dia do trabalhador. 

Durante muitos anos, aprendi que este dia era uma homenagem ao 'trabalho'. Ora, se não houvesse um trabalhador, o trabalho - esta entidade abstrata- tampouco existiria. O que se nota hoje é um apagamento da real identidade desta data e sua origem operária e popular.

Conta a história que o estopim da celebração desta data foi a greve ocorrida em Chicago (EUA) em 1886 em que operários exigiam a diminuição jornadas que chegavam a 16 ou 17 horas de trabalho para 8 horas diárias. Em vez de terem suas pautas atendidas, vários dos operários envolvidos foram presos e alguns mortos. 

Trazendo para os dias de hoje é quase surreal pensar algumas pautas consideradas comuns há 100 anos ainda são reivindicadas em 2026. 

O Brasil de 2026 ainda debate se é necessário viver para trabalhar ou vice-versa. O 1º de Maio passou a ser uma data quase esquecida pela classe que o trouxe à baila. Enquanto partidos políticos o usam a bel-prazer, os reais interessados - os pobres trabalhadores seguem lutando por direitos básicos em um país que ainda os trata como meras engrenagens. 

Desde a "reforma" trabalhista de 2017, a situação de grande parte dos trabalhadores no Brasil piorou - e muito. A terceirização, pejotização, intermitência no trabalho e o esfacelamento da CLT tornaram a vida mais exaustiva e menos protegida. Tudo em prol de uma maior margem de lucro para poucos. 

Resiliência. Aquela palavra muito usada para descrever aquele ou aquilo que, apesar de todos os ventos contrários seguem seu rumo sem esmorecer. Resiliência não é uma palavra que me agrade tendo em vista a romantização que a exaustão tomou de alguns anos para cá. O que se chamava de "exploração" passou a ser vendido como "garra" ou "determinação". 

A mulher que possui tripla jornada não é uma precarizada, mas uma Xena, a princesa Guerreira.

Enquanto isso, o 1º de Maio - que nasceu para exigir 8 horas diárias- assiste o brasileiro trabalhar 12 ou 16 horas diariamente tantos brasileiros entre empregos formais, informais, bicos, trabalhos domésticos e cuidado com os seus - o que na maioria dos casos é relegado para o "depois", visto a alta incidência da escala 6x1.

Há quem lute contra isso. E muitos que lutem a favor. Talvez seja essa a essência da famosa divisão pós-revolução Francesa. Enquanto alguns queriam manter o 'costume', outros desejavam o progresso.

Progresso para quem? Para quem trabalhava 17 horas por dia, o progresso não veio da boa vontade do patrão. Veio do punho erguido. Da greve. Se a história da classe trabalhadora nos ensina algo, é que não existe resiliência. Ensinou que nada se pede: se conquista. E que nada é um favor, mas um direito. Enquanto houver quem ainda trabalhe em escalas extenuantes para sobreviver, este dia não será uma comemoração, mas uma dívida.

Que o Brasil de 2026 aprenda com toda a história da classe dos despossuídos – e não apenas se lembre do gesto: lutar é sempre válido.  

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